01/10/2009

Ficando mais velhinha...

Meninas e alguns meninos,

Mais uma vez peço desculpas pelo sumiço geral. É que tive uma "promoção" no trabalho, acabei absorvendo a função de outra pessoa e fiquei sozinha na área. Além disso, estou fazendo um curso bem interessante em Gerenciamento de Projetos, às terças e quintas à noite, então a minha vida está corridíssima, sem tempo pra falar no telefone, ver jornal, entrar no Orkut e responder os recados etc.

Estou gostando muito de aprender um novo trabalho e abrir meu leque de possibilidades profissionais. Acho que me encontrei, de certa forma, nessa nova atividade, trabalho com elaboração e negociação de projetos.

Quando estou em casa, só tenho vontade de me jogar na frente da tv e dormir.

Amanhã é meu aniversário. E, não por coincidência divina, claro, também é o aniversário do meu pai. Resolvi que não vou ligar pra ele, só vou mandar um torpedo. Vamos ver o que ele vai fazer. Juro que depois eu conto.

Faço 34 anos. Esse ano está voando, aliás, depois dos 30 os anos têm voado.

Minha mãe dizia isso sempre, "o tempo está voando" e eu não acreditava, mas é a pura verdade. A cada ano de vida, sinto que meu tempo se esgota mais rápido, faltam sempre horas e dias para se fazer o que gosta e sobram aqueles momentos em que a gente reza pra passar rápido.

Vocês acompanharam bem de perto a montanha russa da minha vida no ano de 2008 e com carinho têm acompanhado minhas vitórias em 2009. Faltam muitas, inúmeras, vez por outra fico meio "jururu" pensando que dou 150 passos para andar 1 m., mas pelo menos estou andando pra frente.

Não posso dizer que tudo esteja tranquilo e calmo, mas estou bem. Voltei a fazer regime. Estou imensa de gorda (como nunca estive) e começo a aceitar a possibilidade de pensar na cirurgia de redução de estômago. Nunca quis, sempre tive muito medo e insegurança, mas tenho que pensar que não posso mais ser gorda pra sempre, a idade começa a pesar, ainda que a saúde esteja bem agora, como sempre esteve.

Na vida afetiva, estou feliz ao lado da Ana, mesmo que fique muito triste e angustiada por conta da depressão pela qual ela está passando. Tô aqui, nem tão firme, nem tão forte como gostaria (sou humana), mas certa de que estamos juntas para o que der e vier. Pensamos em nos casar em breve, na verdade depende de uma única coisa.

Minha irmã e a namorada se casaram. Compraram um apezinho e estão felizes da vida e eu por elas. Grande passo, grande conquista.

Meu irmão acho que tá pensando em ir morar com a namorada ano que vem. Ele não me fala, aliás ele não fala sobre isso, mas se bem o conheço, isso está germinando dentro dele.

Minha mãe têm tratado a Ana muito bem depois daquela confusão do último post. Melhor do que eu imaginava, graças a Deus. A vida sempre compensa as perdas...

Bom, é isso. Fiquei com vontade de resumir os acontecimentos da minha vida para vocês.

E feliz aniversário para mim!!! Adoro fazer aniversário.

28/07/2009

Eu e ele...

Finalmente, eu e meu pai tivemos uma conversa sobre a minha opção sexual, depois de quase 4 anos me relacionando com mulheres e praticamente 3 que escrevi para ele falando do assunto. Até então, silêncio absoluto. Normalmente o vejo poucas vezes no ano (umas 4, sempre em datas comemorativas), e sempre levo minha namorada nessas ocasiões. Nunca fiz questão de esconder nada, pelo contrário, deixava a porta aberta para o momento que enfim, ele resolvesse falar.

Nada aconteceu nesse tempo, nem resposta ao que escrevi. Minha namorada continuou indo a casa dele e ele, aparentemente, a recebia de forma educada e simpática. O mesmo com a namorada da minha irmã.

Em maio agora minha irmã comprou um apartamento com a namorada e se casaram. Apesar de não falarem para ele explicitamente, ele participou dos momentos em que se falava do apartamento, das compras para o enxoval, da felicidade de ambas, do esforço que fizeram para conseguir alcançar esse objetivo.

Ele se afastou. Deixou de falar com elas, praticamente as ignorando dentro de casa, até que se mudaram. Entrou em depressão profunda (mais uma, ele é depressivo crônico que nunca se tratou) e resolveu (até que enfim!) entrar na terapia.

Como ele faz terapia bem próximo à minha casa, vez por outra nos encontramos para um chopp depois do trabalho, eu, ele e meu irmão. Quarta passada tivemos esse encontro. Já sabia que ele tinha tido um “ataque de pelanca” no final de semana e ligado para a irmã dele e para a minha mãe, aos gritos, dizendo que eu era lésbica e que ele detestava homossexuais e essas coisas que a gente sabe bem.

Resolvi então arrumar uma forma de entrar no assunto. Fiquei o dia todo elaborando diálogos e abordagens e me preparando para ouvir os absurdos dele sem perder a linha. Foi quando ele me surpreendeu, falando antes de mim.

Ele veio com aquele papo de que era de uma outra geração e cultura, que foi fazer terapia porque tinha que aprender a lidar com esse sofrimento e esses sentimentos controversos de amor e frustração e decepção, em relação a mim e minha irmã, que não queria mais ver, falar, estar no mesmo ambiente ou saber sobre nossas parceiras e que aquela seria a única e última vez que falaria desse assunto, colocando no fundo da gaveta pra sempre (ele verbalizou isso).

Falei sobre toda a frustração que eu tinha em relação ao pai que ele era (e o que ele não conseguia ser) e sobre todas as características odiosas dele que eu aprendi a conviver para que a gente não perdesse por completo o contato (uma época fiquei 2 anos sem nem ver nem falar com ele), porque acima de qualquer coisa, ele era meu pai. Claro que não conseguia vê-lo mais do que 4 ou 5 vezes no ano, mais do que isso era agressão, mas eu me esforçava, fazia a minha parte.

Disse a ele que essa coisa de geração era besteira, que os pais da Ana têm 70 anos, a mãe é mega católica, e ainda assim, se esforçam para aceitar a filha e suas companheiras, me recebendo muito bem sempre que os vejo.

Disse que todas as escolhas traziam conseqüências. A nossa (minha e da minha irmã) tinha as suas, mas a escolha dele de “segregar” nossas companheiras e “ignorar” nossa opção, também traria. Eu não deixaria de estar com a minha mulher nessas 4 ou 5 datas comemorativas em que encontrava com ele. Que nos natais, páscoas e afins eu daria preferência, sempre, para estar com as pessoas que me aceitavam da forma que eu era e que sabiam amar, porque amar é isso para mim. Aproveitei para lembrá-lo que eu não ia pro fundo da gaveta, porque não era um objeto e que não existiam duas Ana’s, uma filha e outra lésbica, que ele pudesse escolher com quem conviver. Somos uma só e ele que fosse trabalhar isso na terapia. Não deixei de falar também da vergonha que sentia por ter um pai como ele, tão preconceituoso e egoísta.

O que me deixou mais triste nisso tudo não foi a rejeição. Não esperava muita coisa diferente, vindo dele. O que me doeu mais foi ver que os anos se passaram, muitas situações difíceis aconteceram na história dele e nada mudou, ele não soube aprender nada de bom. Aos 65 anos era o mesmo homem egoísta, egocêntrico e mesquinho que sempre fora. Não foi ensinado pelos pais a amar e ser amado e também não teve interesse em aprender. E que, infelizmente, tenho esse homem como pai. Mas fiz questão de deixar claro que tenho convicção de que o tempo resolve tudo e que tinha certeza de um dia, ele ia mudar de postura.

Levei praticamente uma semana digerindo isso para conseguir escrever. Minha mãe está um pouco mais distante desde que ele ligou pra ela. Não sei se forço o assunto agora ou espero ela também digerir essa “revelação”. Teoricamente, ela sabia, mas as pessoas sempre preferem fingir que aquilo não existe, até que a situação seja jogada na cara e não dê mais para fugir.

Sai da terapia há 15 dias, conclui que nesse momento era mais produtivo pra mim comprar roupa e ir ao cinema do que ficar contando essas mazelas para a psicóloga. No fundo, perdi a esperança e me cansei de tentar melhorar essas relações com minha mãe e pai. Percebi que tudo o que me era possível fazer em relação a eles já foi feito e que não poderia me responsabilizar pela parte deles. As pessoas não mudam, mais uma vez tive certeza disso.

A Ana (minha namorada) fica rebelde quando eu falo isso, diz que as pessoas mudam sim, se quiserem. Ai eu digo pra ela que nunca conheci ninguém que tenha mudado sua essência, somente seu comportamento... Mas também desisti de convencê-la, com o tempo ela deve perceber isso, ou não.

O que eu sei é que sai muito orgulhosa de mim nessa história toda. Mais uma vez passei por uma situação difícil com coragem e cabeça erguida, mas dessa vez sem embate, sem discussão, com serenidade. Percebi que eu realmente aprendi com a vida e amadureci, que não me comportei como adolescente (há uns 13 anos não discutia com ele) e consegui desarmar meu espírito. Bom aprendizado, vamos ver no que vai dar...

E era isso que eu sempre esperei ouvir de você:

22/07/2009

Infelizmente essa é a realidade de muita gente...


Como hoje estou no meio de um alvoroço familiar por conta da minha "condição", achei que a tirinha vinha muito a calhar.

Depois conto esse rolo.

20/07/2009

A sorte de se ter amigos


Hoje é um dia como qualquer outro. De uns anos pra cá, inventaram essa coisa de Dia do Amigo, não sei exatamente porque, mas que acabou se incorporando no nosso calendário de "dias comemorativos".

Eu não preciso de uma data para lembrar dos meus amigos, nem para mandar e-mail para eles, telefonar ou mandar um scrap. Com os que são realmente amigos, mantemos contato, nem sempre com a frequência que gostaríamos, mas certamente o suficiente para não perder aquele elo que faz uma amizade ficar "adormecida" ou "distante" por anos, mas que quando ressurge, têm-se a impressão de que nunca se afastou.

Já falei e "refalei" um milhão de vezes sobre a admiração, importância, carinho, zelo e amor que tenho pelos meus amigos e como eles são realmente a minha família escolhida. De tudo na vida que ganhei, perdi e aprendi, nada foi mais importante do que cultivar as amizades, sempre. É aquela história, amores, trabalho, colegas, filhos, familiares, todos acabam tomando seus rumos, mas os amigos estão sempre por perto (mesmo que não fisicamente), dividindo contigo as perdas, os ganhos, as suas experiências mais ricas.

Sinto vocês, leitoras (sei que a maioria é mulher), como uma espécie nova de amigas. Ainda que nunca as tenha visto (ao vivo), sinto a presença reconfortante e preciosa em todos os momentos (melhor do que ninguém vocês sabem que meu blog é feito dos meus momentos).

Obrigada por me acompanharem (mesmo quando sumo e fico meses sem escrever nada que preste por aqui), me apoiarem, me darem força nas horas ruins, vibrar nas boas e torcer, acima de tudo, torcer à distância mesmo, para que tudo fique bem.

Beijo grande para todas!

14/07/2009

Diversão aos 30

Sábado retrasado fomos comemorar o aniversário de 30 anos de 3 amigas. Uma delas, Sabrina Cachinhos/Chitos, nossa querida amiga e companheira.

Três mulheres com gostos e histórias diferentes, mas que a Faculdade de Direito uniu e a vida manteve juntas. Conseguir “saborear” essas diferenças e compartilhar momentos divertidos é uma arte e elas têm conseguido fazer isso como ninguém.

Sempre tive amigos dos estilos e perfis dos mais variados, indo desde a super católica que casou virgem, à “perdida” cheia de neuroses e síndrome do pânico, eu sempre soube aproveitar bem esse ecletismo e absorver, um pouco aqui e ali, o aprendizado que só o convívio com as diferenças traz.

Apesar de sempre ter sido muito crítica e exigente com as pessoas e comigo mesma, também soube ser flexível e tolerante com as características pessoais dos meus amigos, ainda que por muitas vezes passasse “sermões” e desse “conselhos”, eles sabiam que eu gostava deles assim mesmo.

Quando mais nova (falo em 1ª pessoa porque não sei estender minhas experiências à vida alheia), essa auto-crítica exacerbada me inibia a me divertir plenamente, ficava sempre atenta aos erros, às gafes, à possibilidade do ridículo. Penso que seja assim com todos os jovens e adolescentes e que a maturidade deveria ir nos libertando dessas amarras bobas e limitadoras.

É claro que bom senso continua sendo um valor fundamental na minha existência, mas não posso negar que aos 33, me divirto infinitamente mais e melhor do que há 15 anos.

Quando na minha vida pregressa (de fato, bem pregressa, porque esses mesmo amigos já presenciaram outros momentos parecidos) eu pagaria tantos “micos” na pista de dança, com tantos estranhos ao redor? Me senti um verdadeiro elefante no picadeiro, mas tenho que confessar que foi ótimo!! Nossa, há quanto tempo não me divertia assim com meus amigos. Tanto tempo que não nos “largávamos” numa pista de dança e ríamos dessa maneira. Como é bom permitir que o senso de ridículo fique inversamente proporcional à quantidade de diversão, quando se dança a pérola do cancioneiro popular “Dança do Quadrado” !

E foi como registro desse momento ímpar na nossa biografia grupal, que Chitos tirou essa foto ai embaixo e colocou “honradamente” no seu álbum público da festa.

É ótimo ter amigos com os quais a gente possa ir de um “papo-cabeça” a um momento lúdico como esse e ainda ver que a minha namorada está “aberta” à participação ativa nesses momentos de mico/zoação coletiva... rs

26/06/2009

Neverland... Never again


Ontem, eu comentei com a Ana que achava que Michael não era pedófilo e sim um adulto que vivia, enfim, a vida de criança que não lhe foi permitida viver na infância.

Com o histórico familiar dele, não se podia esperar um adulto que conseguisse ser feliz, ainda que tivesse muito dinheiro, fama e sucesso reconhecidos. Me parece que a felicidade para ele sempre fora algo que viesse de fora, do olhar embevecido dos fãs diante de personagem encantado, de um Peter Pan. No fundo, sempre tive muita pena daquele homem perdido em si mesmo e de toda a loucura que o cercava e embaçava sua visão da realidade.

Talvez ele não a quisesse ver, a realidade deve ter sido muito mais dolorosa do que essa vida de conto de fadas que ele criou para si.

Os adultos, principalmente seu pai e mãe, ensinaram que não se devia confiar neles e nem deles esperar amor. Sobraram as crianças e os "loucos". As crianças são puras, inocentes, amigas sinceras. Os loucos nos aceitam do jeito que somos e aplaudem tudo o que fazemos, independente de ser fora do padrão.

Não posso deixar de reconhecer a qualidade de sua obra e a coragem de ter sido/feito tudo o que achou melhor ser.

Pelo menos, ele tentou...

02/06/2009

Notícias minhas

Ando mega sem tempo e exausta de computador, mas DEVO notícias a vocês, que acompanharam todo o meu drama e me deram a maior força.

O trabalho novo vai ótimo, estou gostando muito das atividades e do ambiente, apesar de estar sem tempo até pra ler jornal na web de manhã, coisa que adoro fazer.

Meu horóscopo diz que estou passando por uma fase extremamente reflexiva e de muitos questionamentos, descartando tudo o que não me serve mais, e é verdade. Podem ficar certas de que a qualquer momento, surgirá um post "daqueles", praticamente uma sessão de terapia.

Desculpem o meu sumiço, mas agora é por boa causa!!

Divulgando: Brasileiros fazem vídeo contra homofobia

Recebi esse e-mail e achei legal divulgar.

"Inspirado em vídeos de outros países que utilizam a música de Lilly Allen "Fuck You", surgiu a idéia de fazer a versão brasileira, um vídeo com brasileiros de todo o país, dando uma mensagem de "Foda-se" aos homofóbicos.

Para obter as informações de como participar, é só acessar o blog http://blogstonewall.blogspot.com/.

As versões francesa (http://www.youtube.com/watch?v=UV26OMSb_VQ) e americana (http://www.youtube.com/watch?v=03PnU27cWDs) já atingiram quase 300 mil views em apenas duas semanas.

Algumas instruções para participar:
Enviar até o vídeo para o e-mail blogstonewall@gmail.com
Até: 15/06/09
Enviar e-mail com autorização de uso de imagem para blogstonewall@gmail.com
Sugestões: gravar em algum lugar que identifique sua cidade

Não serão usadas imagens obscenas no vídeo.Atenção para a sincronia da velocidade do vídeo e da música "Fuck You", da Lilly AllenNão tenha medo de usar a criatividade!!!"

27/03/2009

A liberdade de saber ser independente

Ontem estava visitando alguns blogs queridos que há muito tinha deixado de lado, não pela qualidade deles, mas simplesmente por não estar com a alma "aberta" para a leitura. Ler e escrever são atividades bastante prazerosas e intensas pra mim, mas precisam que eu esteja em paz comigo para poder saboreá-las. Como isso não andava acontecendo há algum tempo, me recolhi e esperei aquela luzinha se acender novamente.

Graças a Deus ela acendeu. Claro que coincidiu com um novo emprego que começa no dia 30 agora, segunda-feira, depois de longos 10 meses de bicos e freelas, angustiada sem saber o dia de amanhã. Fase difícil, talvez uma das mais difíceis pelas quais eu tenha passado, mas claro que repleta de lições e aprendizados.

Uma delas veio agora há pouco, de estalo, lendo um post curtinho da Drika no Encontro das Águas, intitulado "A Mulher Independente", reproduzindo o seguinte texto da Martha Medeiros:

"Quando eu comecei a ter idade para sonhar com independência, passei a ler afoitamente os livros da Marina Colasanti, foram eles que me ensinaram a importância de abrir mão de tutelas e me colocar na vida com uma postura própria, autônoma mas nem por isso menos amorosa e sensível.

Independência nada mais é do que ter poder de escolha. Conceder-se a liberdade de ir e vir, atendendo necessidades e vontades próprias mas sem dispensar a magia de se viver um grande amor.

Independência não é sinônimo de solidão. É sinônimo de honestidade: estou onde quero, com quem quero, porque quero."

Martha Medeiros

Pareceu-me escrito pra mim, como se a Martha conhecesse a minha história e acompanhasse o meu momento atual.

O anseio por liberdade total e irrestrita me veio muito cedo, ainda bem criança, quando já não queria interferência materna nas escolhas das minhas roupas, brinquedos e atividades. Claro que isso assustou meus pais e fez com que eles se sentissem perdidos para lidar com a situação e não soubessem a medida exata entre me deixar tomar as rédeas da minha vida e me dar as orientações necessárias para fazer as escolhas certas.

É certo que não souberam medir... rs

Não só tomei as rédeas da minha vida desde sempre, como a de toda a família. Ao invés de receber orientações, acabava por dá-las, como se aos 15 anos tivesse mais experiência de vida e bom senso (pior que tinha) que a minha própria mãe. Por outro lado, ainda que tenha sido um "auto-crescimento" penoso, me forneceu elementos muito sólidos para a vida e responsabilidade suficiente para fazer as escolhas mais adequadas (claro que nem sempre as melhores). Tudo na vida tem um lado bom e um ruim, mas acho que o saldo foi bastante positivo.

O lance é que acabei virando uma guerreira meio louca e incompreendida, meio Joana D'Arc, lutando por uma causa tão subjetiva para a maioria mas tão vital para mim, a liberdade (o que não era a causa dela).

Não que tivesse sido reprimida pelos meus pais, pelo contrário, tive bastante liberdade (quase que total) e um bom norte de valores morais que me lapidaram, como honestidade, sinceridade, companheirismo e determinação, mas a liberdade que eu ansiava era social, já não se limitava ao meu pequeno universo familiar; eu queria poder ser quem eu quisesse, falar o que achasse melhor, defender as causas que me pareciam as mais certas, me vestir da maneira que gostasse, fazer o que eu tinha vontade. Claro que tudo isso sem atropelar ninguém, ou quase ninguém.

A vida foi seguindo seu rumo, inúmeras situações foram surgindo, muitas boas outras tantas ruins e eu me tornei uma mulher independente (ainda não como gostaria) mas muito tirana comigo mesma. O nível de exigência pessoal e auto-crítica me faziam cobrar de mim mesma uma postura de Mulher-Maravilha (eu ia dizer Super-homem, mas achei que ia ficar sapatão demais, fora que ela é uma gracinha... rs), agindo sempre éticamente, pensando em todos, sendo muito honesta e trabalhadora, buscando praticamente a perfeição (ainda que saiba que estou beeeeem longe disso).

Era bom ver que as pessoas me admiravam pela honestidade, inteligência, companheirismo e obstinação e isso fez com que ganhasse bons e fiéis amigos ao longo da vida. Mas por outro lado, acabei deixando de ser um pouco minha amiga, não me permitia relaxar, delegar, dividir.

Com o meu relacionamento anterior, aprendi que amar não era só doação, mas saber receber também, me entregar por completo. Aprendizado difícil, foi uma luta de mim comigo mesma, coisa de anjinho e diabinho soprando no ouvido, afinal eu ia ter que deixar alguém conduzir. De certa forma deixei, e ainda que o resultado não fosse o esperado, foi uma evolução considerável pra mim. Agradeço a ela por ter me aberto esse novo mundo.

Durante essa fase dolorosa e turbulenta pela qual passei, me senti completamente perdida pela primeira vez na minha vida, como se a minha bússula interna tivesse se desmagnetizado; uma sensação de desamparo, um medo do futuro incerto, imensa decepção comigo mesma. Me senti um fracasso absoluto, tudo tinha dado errado, a Mulher-Maravilha estava perdendo os poderes.

Mas como Deus não dorme (só cochila), tive a oportunidade de partilhar todo esse período difícil com outra pessoa muito especial. Senti a segurança necessária para me deixar amparar, arrefecer, chorar assustada, deixar o meu lado menina indefesa aflorar, admitir que estava perdida, sem saber o que fazer. Dividi todas as dores (ou praticamente todas) e os medos, consegui pedir ajuda. Do meu jeitão, claro, meio contido, incomodado, constrangido, mas consegui e isso foi um enorme passo para mim, me deixar ser cuidada.

E hoje me dei conta de que aprendi que independência não é sinônimo de solidão.

Obrigada Ana, Paulo e Sabrina (agradecimentos especiais) pelo apoio amoroso, pelo incentivo, pela força, pela amizade de sempre. E pelos chopps, almoços, jantares e passeios, que pela primeira vez na vida, curti sem ficar incomodada por ter outros pagando... rs

"Há algo que jamais se esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei"

26/03/2009

Odisséia momesca


Sei que o Carnaval já passou faz tempo e todo mundo agora está em ritmo de Páscoa, chocolates, feriadões, enfim, assunto fora de hora. Mas como eu andei completamente out daqui, cabe voltar à ativa contando essa Odisséia carnavalesca, na mesma linha do post das abelhas, sobre aquelas coisas que parecem só acontecer comigo.

Quem acompanha o blog e leu os posts anteriores, viu que eu estava vendendo fantasias de carnaval para os desfiles de algumas escolas de samba do Rio. Aquela coisa desesperada para ganhar uma graninha extra numa época de vacas mui magras, praticamente anoréxicas.
Como o post ficou gigantesco, vou dividir em atos, assim quem não tiver saco de ler tudo de uma vez, vai saber aonde parou.
Primeiro Ato:

Depois de passar 4 meses recebendo inúmeras ligações e e-mails, ouvindo as perguntas mais absurdas e as mais engraçadas, consegui vender algumas fantasias para turistas (brasileiros e estrangeiros). Na manhã do sábado de Carnaval, quando todos já tinham chegado ao Rio, lá fui eu entregar as fantasias em 6 pontos diferentes da Cidade, no meio de 1 milhão de blocos, ruas interditadas, turistas chegando de todos os lados, ponte Rio-Niterói caótica...

Eu mesma tive que ir porque demos o mole de não cobrar uma taxa de entrega pelas fantasias e terceirizar o serviço, como todo mundo faz, então tivemos que arrumar um morto de fome que cobrasse merreca, mas que não faria o trabalho sozinho.

As fantasias eram da Escola Porto da Pedra, em São Gonçalo e lá estavam, então minha sócia contratou um cara de Niterói para pegá-las e vir encontrar comigo na Leopoldina para começarmos as entregas.

Como toda boa neurótica, tinha localizado todos os endereços no Google Maps (amo muito isso), escolhido rotas alternativas, elaborado uma planilha com todas as informações das fantasias em cada local de entrega e imprimido (impresso, sei lá) tudo direitinho, só aguardando a hora chegar.

O nome do infeliz contratado era Edvan. Na sexta à noite liguei pra ele para marcar o local e horário para ele me pegar, quando ele me avisou que não conhecia praticamente nada no Rio... Senti uma pontada no peito, prevendo que isso ia ser mais difícil do que eu imaginava, motorista/entregador que não conhece a cidade, xiii... Mas lá fui eu, naquele calor saariano e trânsito infernal.

Assim que Edvan encontrou comigo na Leopoldina que eu olho para dentro da Kombi, vi um mar de plumas e tecidos coloridos até o teto e o banco da frente ocupado pelo pai do Edvan. Fiquei alguns segundos abestalhada, sem conseguir entender aonde é que eu ia entrar, até que o Pai (vou chamá-lo assim, porque ele falava um dialeto desconhecido por mim e até o final do dia não tinha conseguido entender o nome dele) se apertou no meio do banco da Kombi para abrir espaço para mim. Foi ai que eu pensei, FUDEU!!! Passei a tarde inteira espremida (detalhe que eu sou gorda de bunda grande) entre o pai do Edvan e a porta da Kombi, suando por todos os poros e inclusive dividindo eles com o coroa, tão suado quanto eu... ARG !! Não há nada mais nojento do que trocar fluídos corporais com desconhecidos (tirando beijo na boca de gente interessante, claro).

Segundo Ato:
A primeira entrega seria na Rua do Riachuelo, no Centro. Depois de levar 40 minutos entre a Leopoldina e o Estácio (trajeto normalmente feito em 5 min.), demos de cara com uma barreira de guardas municipais informando que os acessos àquela região estavam sendo fechados até a segunda de Carnaval por causa da passagem dos carros alegóricos das Escolas. A outra opção era ir por dentro de Santa Tereza (bairro cheio de ruelas todas iguais e que algumas acabam na favela) ou descer razoavelmente próximo e andar pela rua com várias fantasias. Ambas impraticáveis, decidi avisar à cliente que teríamos que encontrar um outro ponto para a entrega e partimos para a próxima parada, no alto Leblon.

A cliente ficou realmente muito chateada, mesmo com todos os argumentos e começou a criar um pequeno barraco telefônico. E eu espremida e engarrafada, trocando flúidos com o Pai... Imagina a minha tolerância para essa situação.

Disse a ela que iria pensar numa alternativa, ligando para informar depois e segui em frente, rumo à zona sul. Mas a mulher não parava de me ligar...

Terceiro Ato:
Continuamos num engarrafamento. Como o Edvan nada conhecia do Rio, tinha que ir ensinando passo a passo os caminhos. Uns 500 metros antes do túnel, eu disse: Edvan, basta seguir em frente que já entramos no túnel direto. Informação difícil de entender? Bom, pra ele foi.

Quando estávamos a 50 metros do túnel (visível, inclusive), o Edvan resolve pegar uma entrada à direita. A justificativa dele foi que o túnel não era bem reto, era levemente à esquerda, e ele supôs que tivesse outro túnel que não aquele, sei lá, e se enveredou pela tal subidinha que dava em uma favela. Nisso eu grito: Pára Edvan, tá errado, olha o túnel ali!

No Carnaval, a gente tem que ficar muito ligado, porque tem muita gente que rouba fantasia para vender no dia dos desfiles. E entra na favela seria certamente ficar sem as fantasias e sem a Kombi.

Edvan pára no meio da subida, meio sem entender o que tinha feito de errado e leva uma bronca imensa do pai, que mudo estava até o momento. Entendi que tinha sido uma bronca porque ele bateu no painel da Kombi, gruniu alguma coisa ininteligível naquele dialeto próprio e depois soltou a palavra EDVAN. Ai nesse momento eu percebi que Edvan era praticamente retardado e o pai tinha vindo para "tomar conta" dele. Ah, com essa bronca, percebi também que o Pai só tinha alguns dentes na boca.

Detalhe: não dava pra gente fazer um retorno rápido e sem passar pela favelinha, teria que voltar absolutamente todo o trajeto engarrafado de antes. A coisa tava piorando...

Quarto Ato:
Falo pro Edvan então dar uma ré, afinal a ladeira não tinha movimento nenhum, mas olhando pelo retrovisor, vejo uma cabine da PM bem no início dela. É claro que quando o Edvan foi dando ré o policial mandou parar e descer da Kombi. Chamou o Edvan num canto (eu vendo tudo pelo retrovisor) e sem ao menos pedir a carteira de motorista dele ou qualquer outro documento do carro, informa que ele tem que dar R$ 50,00 para passar, caso contrário iria prender a Kombi porque estava com a placa apagada. Pura mentira, o carro estava em perfeito estado, incluindo a placa, mas os filhas da puta queriam fazer o Carnaval deles às custas do coitado.

Volta Edvan pra Kombi com cara de choro, resume a história pra mim e pergunta se eu tenho a grana. Claro que eu não tinha!! Estava fazendo aquela merda de entrega porque estava precisando de grana, como é que eu ia dar 50 pratas praquele desgraçado?? E mesmo que tivesse, não daria. O que mais me enoja na polícia são os caras extorquirem gente honesta que paga imposto, sem ao menos fazer o trabalho deles, que é nos dar segurança.

Comecei a utilizar um mantra pessoal que eu criei para essas horas, onde repito inúmeras vezes para mim mesma: "Não se desespere, vai passar, tudo vai se resolver, não pense negativamente." E lá fui eu "conversar" com o policial...

"Boa tarde Policial. O que está acontecendo?"

Ele me explica que está ali para manter a segurança nas vias públicas e que a Kombi do rapaz estava irregular. Não me dizendo que tipo de irregularidade, claro.

"Entendo perfeitamente. Nessa época do ano o trânsito fica muito complicado mesmo e sei que a sua função é evitar acidentes, mas eu realmente estou desesperada, sem saber o que fazer. Esse é o segundo frete que eu pego hoje, o primeiro quebrou e só esse rapaz estava disponível para me ajudar nessas entregas (mentira deslavada). Nem sei ainda como vou pagá-lo, mas preciso entregar essas fantasias para alguns turistas estrangeiros em hotéis da zona sul, que estão me esperando desde de manhã, pois vão desfilar ainda hoje (história da carochinha total)."

Ele me diz que entende a minha situação, mas que está fazendo a obrigação dele. Em momento algum fala abertamente sobre a grana, como fez com o Edvan, mas dá a entender que vou ter que pagar para sair de lá.

"Eu fico muito satisfeita em saber que existem policiais sérios e preocupados com a segurança (quase vomitando, mas sem perder a chance de ironizar), mas eu lhe imploro ajuda. Se a Kombi for apreendida, o que vou fazer com as fantasias? Aonde vou arrumar outro frete? Como vou pagar um 3º frete? Já estou quase pagando para essas pessoas desfilarem... (fazendo aquela cara de menina desamparada, com olhos de cachorro caído da mudança) "

Depois de minutos de silêncio angustiantes, ele me fala que só vai liberar a Kombi por conta do meu desespero e situação complicada e que não quer atrapalhar o Carnaval de nenhum turista, mas que eu tenho que me responsabilizar pela regularização da viatura. E eu nem sabia qual era o "problema".

"Nossa, muito obrigada! O Senhor (vomitando mais ainda) não sabe como fico grata pela sua compreensão. Muito obrigada mesmo. O Senhor se importa da gente dar uma ré aqui, porque o Edvan nem mora no Rio e não conhece o caminho, ai pegou essa ladeira errado..."

Ai o policial diz que tudo bem, que a gente podia dar uma ré e pegar o túnel. Isso tudo, sem olhar pra mim, só olhando pra frente, de óculos escuros, fuzil na mão. E lá fui eu embora, com aquela sensação asqueirosa de repulsa, de me sentir lesada, agredida, impotente diante dessa pouca vergonha que se tornou a Polícia carioca. E ainda tive que implorar por uma coisa que não estava errada e o cara lá como se fosse Deus, com aquele fuzil na mão. Ô vontade de metralhar o Edvan, o policial, o Pai...

Quinto Ato:
Seguimos rumo à zona sul. Mais engarrafamento, mais Edvan pegando ruas erradas. Descobri que ele, como eu, tinha dificuldade em saber o que era esquerda e o que era direita. Logo no primeiro destino, o Pai não fecha direito a mala da Kombi e um saco com uma fantasia completa cai sem nenhum de nós ver, mas um vigilante de alma muito elevada vem correndo de moto atrás da gente pra devolver. O Rio também tem gente do bem, graças a Deus.

Nessa altura, eu já estava com tanta raiva do Edvan e tão siamesa com o Pai, que nada mais podia acontecer. Comecei a rezar para não furar nenhum pneu, nem quebrar nenhuma peça, senão certamente eu iria surtar como o Michael Douglas em "Um dia de fúria".

Sexto Ato:
Passaram-se 7 horas e a última entrega estava sendo feita. A primeira cliente estressada me deu um endereço alternativo de entrega e tudo ficou resolvido. Liberei o Edvan e o Pai e disse que dali do último hotel eu ia pra casa de ônibus. Não aguentava mais nem olhar pros dois.

Conheço os dois últimos clientes, umas graças de paulistas de Marília. Me ofereceram para ir ao banheiro (não tinha ido nenhuma vez, mas também o que suei agarradinha no Pai compensou), me deram água, conversamos um pouco, rimos bastante e eu morta, agradeço a preferência e vou embora. Ô céus, o Brasil tem gente do bem.

Entro no primeiro ônibus que me serve, lotado, todo mundo em pé. Vários foliões fantasiados, vindo de blocos, indo para a Sapucaí, uns cansados, outros ainda em ritmo de festa e uns bêbados inconvenientes, claro.

Quando o ônibus chega no meio do caminho, entram 4 caras pela porta traseira, sem pagar a passagem. O motorista pede educadamente para eles sairem, pois a Empresa demite os motoristas que deixam isso acontecer. Os caras dizem que não vão descer. O motorista diz que não vai sair dali e desliga o ônibus. O povo todo se alvoroça, todos loucos pra chegar em casa. Uns gritam (como eu) para chamar a polícia (será que para isso eles serviriam?), outro reclamam do absurdo já que todos ali pagaram a passagem e a confusão começa. Nisso, um dos camaradas levanta, com a maior cara de marginal, e ameaçadoramente pergunta quem é que tinha dito que ia chamar a polícia. E começa a andar pelo ônibus.

Ai todo mundo fica quieto (inclusive eu), com aquela cara murcha, amedrontada e os filhas da puta começam a andar pelo ônibus e perguntar quem é que ia tirar eles dali, que eles não iam pagar nada. Uma menina começa a reclamar que está cansada, que estava trabalhando e precisa ir pra casa, os vagabundos vão pra cima dela e começam a falar um monte de merda. Uma sapinha que tava atrás de mim com a mulher e o filho se revolta, começa a gritar para eles pararem de covardia, ai os caras mudam o foco e vêm pra cima dela (e eu exatamente na frente). A minha vontade era de levantar e enfiar a porrada nos caras, enlouquecer, pegar eles pelo cabelo e jogar pra fora do ônibus, mas o medo da violência me fez calar, amuar, acovardar. Me sinto um lixo humano.

Os outros vão até o trocador e tirando um bolo enorme de notas de 50 reais do bolso, dizem para ele pagar uma passagem de cada nota, ou seja, tirar R$ 8,80 de R$ 200,00. Claro que o trocador não tinha troco e disse que por lei não tinha obrigação de dar, ai os vagabundos começaram a falar baixinho pra ele: "Meu irmão, não arruma idéia, você vai passar lá pelo movimento, já anotamos o número do ônibus..." E eu do lado assistindo tudo, tendo que fingir que não estava vendo nada, me sentindo tão lesada/agredida quanto mais cedo, com o policial. E só pensava no meu mantra, calma já vai se resolver, e desesperada para ir para casa, mas intimidada até de levantar do ônibus e descer, porque os camaradas estavam na porta. E também não ia adiantar, poque não tinha dinheiro suficiente para pagar outra passagem.... Ô vida filha da puta!!

Alguns 20 minutos depois, chega enfim um policial, pergunta o que tá rolando, os vagabundos dizem que o trocador não quer receber, mas o policial astuto diz pra eles descerem, que não quer mais confusão. Desceram soltando ameaças entre os dentes, olhando nos olhos da sapinha, do trocador e da garota que reclamou, mas foram embora. Ainda existem policiais úteis.

E depois de 8 horas nessa Odisséia para ganhar uma grana nem tão significativa assim, eu chego em casa exausta, faminta, incomodada, enojada, com a fé na humanidade diminuída, imunda, grudenta e banhada de suor, meu e do Pai, que passou o restante do tempo mudo. A sensação era de missão cumprida, não tinha estragado nenhuma ilusão de Carnaval.

Depois recebi e-mail dos clientes agradecendo e dizendo que foi tudo ótimo, que adoraram, que ano que vem viriam novamente e tal. É bom, apesar de tudo, saber que fizemos as pessoas felizes. Ainda tem gente que valoriza isso.

Passei um tempo tendo flashes "traumáticos" daquele dia: do Edvan com cara de babaca, do policial corrupto, da boca sem dente e do suor do Pai escorrendo, dos vagabundos no ônibus... Nada demais para quem vive numa grande metrópole brasileira, mas não posso dizer hoje, que não tenha sido uma experiência sui generis.
Agora tem uma coisa, ano que vem só terá mais se eu tiver amnésia, me fizerem uma lobotomia ou uma lavagem cerebral!!

É bom estar aqui novamente, de corpo e alma.